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O Ice-o-Lator, o Fantástico e o Fantasma da Desinformação
No domingo dia 29/06/2025, o programa Fantástico veiculou uma reportagem alarmista que jogou luz (ou melhor, sombra) sobre o consumo do Ice-o-Lator — uma forma de extração concentrada de cannabis feita com água, gelo e flores da planta. Em vez de tratar o tema com a seriedade e responsabilidade que se espera do jornalismo investigativo, o programa optou por uma abordagem sensacionalista, chegando ao ponto de comparar o uso de Ice com drogas como crack e heroína.
Sim, você leu certo.
Para quem não assistiu, a matéria pode ser conferida neste link do Globoplay. A reportagem mistura evidências clínicas, imagens de usuários em situação de vulnerabilidade e depoimentos médicos, sem diferenciar contextos, usos, métodos de produção e — o mais grave — sem separar substâncias completamente distintas do ponto de vista químico, legal e social.
O que é o Ice-o-Lator, afinal?
O Ice-o-Lator é um concentrado de cannabis obtido por um processo artesanal e natural, utilizando apenas gelo, água e flores da planta. Sem solventes químicos, sem aditivos. Ele preserva os tricomas (onde estão os canabinoides e terpenos), oferecendo um produto potente, sim — mas natural, de origem vegetal e amplamente reconhecido em cenas canábicas internacionais como uma das formas mais puras de consumo.
Confundir isso com drogas sintéticas como crack ou heroína é não apenas um erro técnico, mas um desserviço completo à sociedade.
A consequência de uma narrativa irresponsável
Num momento em que o mundo avança em pesquisas, regulamentações e políticas públicas mais humanas sobre cannabis, essa reportagem coloca o Brasil alguns anos para trás no debate. Ela desinforma o público, perpetua estigmas e pode gerar pânico moral desnecessário, inclusive entre familiares, educadores e profissionais da saúde pouco familiarizados com o tema.
Faltou contexto. Faltou escuta. Faltou responsabilidade.
Faltou mostrar, por exemplo:
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Que extrações como o Ice-o-Lator são legalizadas e premiadas em países como Canadá, EUA, Espanha e Uruguai.
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Que existem pessoas medicadas com esse tipo de concentrado, que relatam melhora significativa em quadros como dor crônica, epilepsia ou depressão.
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Que o uso problemático de qualquer substância está ligado a fatores sociais, emocionais e estruturais — não à planta em si.
A cannabis não é vilã. O estigma, sim.
Na Namastey Shop, defendemos uma cultura canábica com mais informação, menos preconceito e muito mais consciência. Acreditamos no poder da planta, mas também no poder do conhecimento. E é por isso que não poderíamos ficar calados diante de uma reportagem que coloca tudo no mesmo balaio e criminaliza usuários, saberes populares e formas de resistência.
Fica o nosso convite à reflexão:
Por que ainda temos tanto medo de falar sobre cannabis com seriedade no Brasil?
Quantas vozes foram ignoradas nessa matéria?
Quem lucra com a manutenção do medo?
Desinformação também é uma droga pesada. E está na hora de dar um basta.
Paz, liberdade e informação pra quem planta e pra quem consome.


